22/06/14

COMER GORDURA EMAGRECE... A SÉRIO!!!


Quando digo isto a alguém ficam sempre com um ar incrédulo a olhar para mim. Por isso costumo usar logo uma analogia do género "Então quer dizer que se comeres perninhas de rã vais sair daqui a saltar à campeão". Partir do principio básico que comer gordura engorda é a mesma coisa que assumirmos que se comermos o "material" de elefante, o nosso "material" vai... bem, é melhor parar com as analogias, continuem a ler...

Nem de propósito a revista Time lançou finalmente um artigo sobre este tema. Aqui está a sua transcrição na integra, traduzida em português (do Brasil) no blog do Paleodiário e se quiserem fundamentação para o que vou escrever a seguir dêem uma leitura.

Vamos começar por compreender o que é gordura (não se preocupem, vou manter as coisas simples). A gordura é uma fonte de energia que serve ao nosso corpo de combustível e nesse campo é o mais eficaz. Nos últimos anos foi-nos "vendido" que os hidratos de carbono, em especial os cereais, são a melhor fonte de energia, quando na realidade eles são somente a mais rápida e de mais fácil consumo. Não é a mesma coisa.
E agora vamos compreender os "hidratos de carbono". Generalizamos demais com este termo, os hidratos de carbono são efectivamente essenciais à nossa alimentação... só que as frutas, vegetais e tubérculos também contém hidratos e é aí que os devemos requisitar. Para facilitar vamos então utilizar aqui a expressão "hidratos" para nos referimos aos que nos fazem menos bem, os cereais, o trigo e seus derivados (nomeadamente o pão, bolachas, barritas e cereais de pequeno almoço, sejam eles lights, integrais ou que seja, é tudo igual) e neste caso especifico vamos incluir também o arroz, que sabemos que em determinadas situações pode não ser tão mau como isso, mas no que toca ao armazenamento de gordura encaixa neste grupo.

Acontece que ao ingerirmos "hidratos" o nosso corpo vai imediatamente convertê-los em açúcar e utilizá-los como energia primária, deixando a gordura armazenada para uma eventualidade. Se ele pode ter energia imediata por que raio vai perder tempo a processar gordura??? A cruel verdade é que o nosso corpo também é preguiçoso e da mesma maneira como nós achamos "porque raio hei-de cozinhar se posso mandar vir uma pizza" ele também nos prega destas partidas.
Sabem porque é que é tão difícil perder aquele ultimo bocadinho de gordura da barriga, do "pneu" ou das coxas? Porque o nosso corpinho tem um sistema de emergência que é difícil enganar e o tipo acha que um dia destes ainda acabamos perdidos no meio Antárctica todos nus e sem reservas nenhumas!!!

Mas voltando à "vaca fria", se cortarmos com os "hidratos" o nosso corpo vai adaptar-se e passa a carburar/queimar gordura. E agora digam-me o que preferem? Uma tacinha de arroz branco sem sabor e sem gordura nenhuma (porque se quiserem basear a vossa alimentação em hidratos vão ter de cortar drasticamente na gordura para compensar, já se questionaram porque é que há vegetarianos gordos se os culpados são a proteína e a gordura), ou umas belas fatias de picanha grelhadinha? Pois é, basta acompanharem a picanha com salada e vegetais em vez de batata, arroz e feijão que ela não vos faz mal nenhum!!!
Muitos estudos recentes já provaram que a supressão dos "hidratos" em prol da gordura saturada e proteína leva a uma perda de peso saudável, ao combate a uma série de doenças auto-imunes e até à reversão de diabetes tipo II (mais uma vez, dêem uma olhada ao artigo da Time aqui).

"Então e o colesterol" perguntam vocês? Nem me vou dar ao trabalho de responder. Já falei sobre esse mito no post "OS OVOS FAZEM MAL... OU ENTÃO NÃO".

Claro que não quero que vocês comecem a comer banha de porco à colherada!!! 
Primeiro este tipo de alimentação deve ser acompanhado por uma quantidade abundante de vegetais e fruta fresca e segundo, há que identificar as gorduras. As boas são as provenientes dos ovos de campo, de animais selvagens ou de pasto, peixinho do mar ou do rio, azeite virgem ou óleo de coco, frutas gordurosas como o abacate ou o novamente o coco, frutos secos e até mesmo lácteos (para quem os tolera bem) na forma de produtos o naturais como os queijos artesanais sem corantes nem conservantes... aqui lembrem-se, NADA DE MAGROS, LIGHTS OU SEM GORDURA, esses foram totalmente adulterados para chegar a esse ponto, faz-vos bem melhor um queijo da serra inteiro que umas fatias de queijo extra light do supermercado.
Como infelizmente tenho dificuldade (e disponibilidade económica) em encontrar carne de animais de pasto/biológica, evito comer porco (excepto o bacon, ao qual abro uma excepção por ser delicioso, tento comprar sem glúten e sem açucares pelo menos), opto por aves, carne de vaca magra ou picanha, borrego e porco preto, que são animais que têm de ser criados normalmente fora do ciclo de produção intensiva. A evitar totalmente são as gorduras provenientes das margarinas e óleos vegetais (soja, girassol, canola e afins).

Termino a dizer-vos que o mais importante é tentarmos comer "comida de verdade", o mais natural e menos empacotada possível, essa só vos vai fazer mal e vá, deixem lá o medo do belo ovinho com gema e celebrem este artigo com um generoso prato de picanha... acompanhada com salada e vegetais ;)

2 comentários:

Armando Costa disse...

Obrigado Jorge Martins pelo teu esforço e preserverança em espalhar a notícia do que faz falta. O mais difícil vai ser colocar a nossa classe médica a discutir isto, o problema é que eles nem leêm este tipo de artigos, estão numa de quem sabe tudo.
Armando

Sem Aditivos disse...

Obrigado ;)
Eles estão presos à industria farmaceutica e infelizmente, da maior parte das vezes, a culpa nem sequer é deles. A formação que têm é a de análises tipo, diagnóstico tipo, seguidos de prescrição de fármacos tipo. Perdeu-se a sensibilidade (falando de modo genérico, claro) do médico de familia que sabia um pouco de tudo e "cheirava" o problema por intuição quase!
Enfim, é por isso que temos de recorrer a ouros especialistas e sobretudo a nós próprios.
Abraço Armando!

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